O olho no olho importa! | Retrô com Café Março/26
O mês de março me marcou muito na temática Inteligência Artificial. Infelizmente, mais um livro com indícios (e provas concretas) do uso da Inteligência Artificial chegou às minhas mãos para o serviço de edição de texto e novamente isso me fez refletir sobre o fazer artístico e o uso de ferramentas de inteligência artificial e, por isso, quero enfatizar a palavra ferramenta.
De acordo com diversos dicionários, ferramenta é definida como um meio para alcançar certo objetivo, um instrumento. Isso quer dizer que a ferramenta vai trabalhar sozinha? Não. Sem sair do campo da escrita, o Microsoft Word/Google Docs é uma ferramenta que o escritor utiliza para escrever um livro, que ajuda, inclusive, na revisão ortográfica, apontando palavras erradas ou melhorias de pequenos trechos. A Inteligência Artificial chega, na arte, da mesma maneira, como instrumento, e isso é muito legítimo.
Não consigo imaginar qual o tesão, e aqui preciso usar essa palavra mesmo, pois se trata de paixão, de prazer, então qual o tesão em alguém ordenar algo para uma máquina e ela te devolver um texto genérico e você falar que foi você que escreveu? Juro, se alguém tem, me explica qual o tesão nisso? Porque eu, como artista, sinto tesão em arrancar parte de mim e transformar em palavras, um processo que pode ser doloroso, difícil, demorado, mas que também é extremamente curativo, animador e prazeroso. Ver uma obra nascer diretamente do seu cérebro não tem preço e não há IA que possa dar esse sentimento a um artista, apenas a ação.
Quando a IA é usada para o bem!
No finalzinho do mês me março, me deparei com o perfil do Instagram do Rafael Emil, que, utilizando IA, refez trechos de animações da Pixar com os personagens falando em língua de sinais, e esse é um exemplo ótimo de uso da ferramenta.
Eu tenho grande experiência trabalhando com acessibilidade para pessoas com deficiência, desde 2016 presto serviços nessa área, e eu sei que a maior lacuna na área da comunicação é justamente a acessibilidade no geral, em todas as artes.
“Mas, Nat, ele está colocando essas artes feitas por artistas da Pixar na IA e plagiando-as”. A Dinsey Pixar é um conglomerado gigante e riquíssimo que poderia usar 0,01% do seu dinheiro fazendo os seus filmes serem acessíveis às crianças com deficiência (já que o público-alvo são as crianças, mas isso alcançaria também os adultos). Eles fazem isso? Não. Então, nesse caso, não vejo grandes males em usar da ferramenta da Inteligência Artificial para incluir e tornar a arte acessível.
Nas minhas redes, eu faço o uso de IA em prol da acessibilidade há anos, desde que o mecanismo de “legenda automática” surgiu nos apps, eu faço questão de pagar a versão PRO só para poder usar da ferramenta, porque eu sei que muitas pessoas vão se beneficiar delas. É uma ferramenta de Inteligência Artificial que transcreve sozinha o que é falado no vídeo. Antes delas existirem, eu demorava horas — dependendo do vídeo — para transcrever tudo e, depois, revisar e, depois, colocar no tempo certo. Hoje em dia, a IA vem ganhar tempo e auxilia na acessibilidade.
Aliás, se você ainda não coloca legenda nos seus vídeos, já passou da hora, né? Mas antes tarde do que nunca, comece!
Algo que só o olho no olho vai nos dar
Apesar de os avanços tecnológicos nos trazerem muitas coisas boas, como é o caso que falei acima, tem algo que a máquina nunca vai proporcionar: feromônios.
Ok, como já dizia o filósofo contemporâneo Justin Bieber, nunca diga nunca, mas, pelo menos por enquanto, a máquina não pode emitir isso, apenas pessoas e eu agradeço muito por isso.
Em março aconteceu o primeiro encontro presencial do Clube do Livro Café com Nat + Sentadas na Janela. Falamos sobre o livro “Meridiana“, da Eliana Alves Cruz, que é um livro magnífico, inclusive, mas não falarei sobre ele neste texto e sim sobre o encontro.
Quem me acompanha lá no YouTube lembra que em 2025 eu comecei um Clube do Livro online, que até teve aderência no início, mas foi chegando no meio/final do ano, a única pessoa que aparecia nas discussões era eu 🤡 E eu fui percebendo que a busca por clubes do livro continuava grande, mas a busca por clubes presenciais. Então, uma das metas para o canal em 2026 era tornar aquele clube presencial, mas não queria fazer isso sozinha e eu chamei a minha parceira para todas as horas, com quem eu amo fazer projetos, a Juliana Mazza, que topou entrar nessa comigo com a roupagem de um clube em parceria com o nosso podcast.
A nossa comunidade do WhatsApp foi crescendo, estava até animada, mas quando chegamos ao restaurante no dia do encontro, o nervosismo tomou conta: e se ninguém vier?

E então as pessoas começaram a chegar: um grupo incrível de sete mulheres leitoras e o meu marido, Renan, que também está participando do clube, eu, Ju, e o Vitor, parceiro da Ju que está nos ajudando no marketing do clube, e sabe o que isso me ensinou? Presença vale mais do que tudo. Estar ali, conversando olhando nos olhos daquelas pessoas, ouvindo o tom real da voz delas, ser interrompida por um barulho de algo acontecendo no restaurante, isso é vida!
Não vou tirar o mérito de clubes do livro online, eles são importantíssimos para quebrar fronteiras, mas ter a oportunidade de participar de um clube do livro presencial quebrou outras barreiras, muitas vezes invisíveis, mas tão necessárias de serem quebradas quanto as medidas por quilômetros.
Estou muito, muito animada para o próximo encontro, que vai acontecer em junho. Se quiser participar, todas as informações estão neste vídeo do YouTube ♥
Cumprindo metas do meu visionboard com sucesso
Como março fecha o primeiro trimestre do ano, vejo como um mês de fazer uma revisão das metas que estipulei lá no início do ano e coloquei no meu visionboard. Me deixa muito feliz ver que estou seguindo um caminho muito leal aos meus objetivos e a mim.
O próprio mês de março reforçou um objetivo que eu não consegui cumprir muito bem em janeiro e fevereiro: tempo de qualidade com os amigos. Em março chamei meus amigos para assistir o Oscar em casa e também fui na casa da Ju fazer um momento nostálgico assistindo o especial de 20 anos de Hannah Montana juntas. Ainda bem que assisti ambas as coisas com meus amigos amados, porque ambos foram decepcionantes (juro, como o Brasil não levou nenhum Oscar e achei o Hannaversário beeem fraco), mas não deixaram de ser noites animadas e cheias de risadas e afeto, que, na real, é o que mais importa.
Também fiz mais um bordado, dessa vez para dar como um presente de casa nova para o meu irmão. Ele pediu um bastidor do Ghostface chapado, dos filmes de “Todo Mundo em Pânico” e eu percebi que estou conseguindo fazer o bordado bem mais rápido que no início de tudo.
Com pequenos passos a gente vai adaptando a rotina para cumprir aquilo que queremos e acho que essa é a mágica que uma das palavras que eu coloquei como norteadoras do ano: paz. Me sinto em paz e espero que você também esteja por aí ou que consiga encontrar seu caminho para chegar a ela.
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Natália Marques é escritora, roteirista e comunicadora há mais de 9 anos, pós-graduada em Teoria e Crítica Literária e em Revisão de Textos, formada em Comunicação Social com Habilitação em Cinema (FAAP). Hoje se dedica à escrita e à prestação de serviços literários para pessoas que escrevem: leitura crítica, preparação de texto, revisão, consultoria e mentoria, além da roteirização de filmes, podcasts e vídeos.
Tem três romances publicados, “Os ares de Luisa” e “Matérias do Coração” e “Sete Centímetros”, finalista do Prêmio Carolina Maria de Jesus. Também é criadora de conteúdo e você pode acompanhá-la nas redes YouTube, Instagram, TikTok e Pinterest pelo usuário @cafecomnat e também pelo site natmarques.com.


