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O primeiro favorito do ano | Retrô com Café Fevereiro/26

O passado e o presente se uniram no meu mês de fevereiro de 2026. Mas, diferente de janeiro, um passado bem mais distante, um que eu não conheci, que não vivi, mas que se torna presente por meio da arte.

Boas-vindas ao Retrô com Café de Fevereiro de 2026!

A primeira leitura favoritada do ano!

É incrível quando uma amiga te conhece a tal ponto de te indicar um livro que se torna um dos seus favoritos da vida, já passou por isso? Minha amiga Arual, há alguns meses, me mandou uma mensagem com as seguintes palavras “olha, ‘Tempo de Graça, Tempo de Dor‘ está no Kindle Unlimited, é um dos livros favoritos do Paulo Ratz, acho que você vai gostar”. Que mensagem mágica.

Baixei o livro e ele ficou na minha biblioteca do Kindle paradinho por muitos meses, até dia 23 deAmazon.com.br eBooks Kindle: Tempo de Graça, tempo de Dor, de Pontes  Peebles, Frances, Calado, Alves janeiro, quando comecei sua leitura, momentos maravilhosos que passei com essa história. Ele é um romance de formação que acompanha duas meninas, na década de 1920: Maria das Dores e Maria das Graças. Maria das Dores é funcionária no engenho que Maria das Graças é “senhorinha”, como elas mesmas falam. Crescendo juntas, apesar da enorme diferença social e econômica, elas se tornam amigas e compartilham um sonho: virar cantoras de rádio. Sempre uma ao lado da outra, acompanhamos a trajetória delas na capital do Brasil, na época, o Rio de Janeiro, em busca desse sonho.

Esse livro une tudo que eu amo em uma história: personagens profundos, romance, drama, música, história mundial, cenários brasileiros. É como se a autora, Frances de Pontes Peebles, lesse meu cérebro e falasse “ela gostaria de ler sobre isso? Então toma!”. É perceptível o nível de pesquisa que ela fez para escrever, mas não de forma a tornar a leitura cansativa, mas ao ponto de te levar para as décadas de 20/30/40.

Fiquei simplesmente apaixonada! Se você gostou de ler ou assistir a “Daisy Jones & The Six“, vai adorar “Tempo de Graça, Tempo de Dor“! Vamos dizer que é um Daisy Jones no bairro da Lapa, no RJ. Eu já indiquei para várias pessoas e vou continuar indicando por muito tempo.

Continuando na década de 30, mas no cinema!

Eu estou tentando assistir mais filmes clássicos, dos primeiros anos do cinema. Comecei com “Viagem à lua” (1902), o precursor da ficção científica cinematográfica, e em fevereiro assisti a “Luzes da Cidade” (1931), de Charles Chaplin, o primeiro filme do Chaplin que eu assisto inteiro — o único contato que eu tive com ele, e acho que você também já teve, foi a cena de “Tempos Modernos” sobre a revolução industrial… Oi, aula de história e sociologia!

Luzes da Cidade': Chaplin no auge diverte e emociona como nunca

No filme, um homem bondoso, mas extremamente pobre (Carlito) se apaixona por uma florista cega. Ao conhecer um homem rico, ele vê uma oportunidade de mudar a vida daquela mulher, que está prestes a ser despejada. Porém, muitas confusões fazem com que esse objetivo fique cada dia mais difícil.

Assistir “Luzes da Cidade” me trouxe mais do que as risadas inocentes das palhaçadas de Chaplin ou da emoção da mensagem final, que me surpreendeu; ele implantou a reflexão de como o simples pode ser substancial — e de como perdemos essa noção com o passar dos anos e a crescente onda tecnológica.

Um filme completamente mudo (acredito que há, no máximo, 20 frases explicativas ou de diálogos nos 87 minutos de filme), e, mesmo assim, emocionante, porque a mensagem está impressa em cada ato do personagem, sem necessidade de diálogos complexos, de CGI, de efeitos especiais.

É claro que isso me fez pensar sobre minha escrita, meu consumo e meu funcionamento cerebral. Será que estamos tão acostumados a ver produções cada vez mais complexas que até esquecemos que a comunicação pode ser feita de uma outra forma?

De volta ao teatro, celebrando… O cinema!

Quem me acompanha mais de perto, pelo Instagram, sabe que eu também faço teatro e dou aula de teatro, e no dia 28 de fevereiro voltei aos palcos com a estreia do espetáculo “A Sétima Arte” com o projeto social da Oficina dos Menestréis UP 13, que trabalha com um elenco com síndrome de down.

Eu e o elenco do UP 13 no dia do meu aniversário

Foram meses trabalhando ao lado da Evelyn Klein, do Deto Montenegro e desse elenco maravilhoso do UP para dar vida a esse compilado de histórias que marcaram as telonas. Foi minha estreia assinando a assistência de direção em uma peça e eu fiquei maravilhada com o processo e com o resultado.

O melhor de todos os meses de aulas e ensaios é ver o desenvolvimento de cada aluno, e nos quatro dias de apresentações (a temporada é curta, são dois finais de semana) notar que todos nós estamos nos divertindo fazendo teatro. Me marcou, marcou minha história, e é claro que eu precisava citar na minha Retrô com Café de fevereiro — mesmo que, enquanto escrevo este texto, ainda faltem duas apresentações da temporada. Bora para o teatro!

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Natália Marques é escritora, roteirista e comunicadora há mais de 9 anos, pós-graduada em Teoria e Crítica Literária e em Revisão de Textos, formada em Comunicação Social com Habilitação em Cinema (FAAP). Hoje se dedica à escrita e à prestação de serviços literários para pessoas que escrevem: leitura crítica, preparação de texto, revisão, consultoria e mentoria, além da roteirização de filmes, podcasts e vídeos.

Tem três romances publicados, “Os ares de Luisa” e “Matérias do Coração” e “Sete Centímetros”, finalista do Prêmio Carolina Maria de Jesus. Também é criadora de conteúdo e você pode acompanhá-la nas redes YouTube, Instagram, TikTok e Pinterest pelo usuário @cafecomnat e também pelo site natmarques.com.

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