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Olhos que voltaram a brilhar para o cinema

Se no dia 27 de fevereiro de 2025 você me procurou, mandou mensagem, me ligou, provavelmente não respondi entre às 15h e às 23h30, porque eu estava no cinema. Sim, passei praticamente oito horas e meia em uma sala de cinema, com pequenos intervalos de 20 minutos entre uma sessão e outra, para ir no banheiro e comer alguma coisa. Sozinha. E foi um dos dias mais legais da minha vida!

Aproveitei a promoção que a UCI Cinemas faz próxima da premiação do Oscar, deixando os ingressos com preços promocionais, e assisti a três filmes pagando o preço de um ingresso em dias normais, o que já foi um grande incentivo para fazer essa maratona, mas não foi o único.

Desde 2015, ano em que entrei na faculdade de Cinema, gosto de assistir pelo menos à maioria dos filmes indicados ao Oscar. Desde 2019, minha meta é assistir, pelo menos, a todos indicados a melhor filme, e eu vinha conseguindo, até que esse ano, a dois dias da premiação, eu não tinha assistido nem metade — graças a Deus foi um mês de muito trabalho, mas priorizei tanto o trabalho que não dei tempo ao descanso (só na hora de dormir mesmo). Isso estava me incomodando, porque, quando eu coloco metas, eu quero muito cumpri-las. Então esse era meu maior incentivo para ir ao cinema naquela quinta-feira de fevereiro: não ficar atrás na corrida de assistir aos filmes indicados a melhor filme.

O que eu notei enquanto entrava e saía da sala de cinema, sozinha, tomando meu Starbucks no primeiro intervalo e jantando minha pipoca P no segundo, foi que, nos últimos anos, o cinema tinha perdido um pouco o brilho para mim. O cinema como espaço físico com uma tela grande e diversas cadeiras, mas também o cinema como sétima arte.

Talvez tenha sido a estafa de filmes de super-heróis; o preço alto nos ingressos, limitando o dia que eu conseguia ir aos dias promocionais; ou a rapidez de um filme sair de cartaz e já entrar no streaming, facilitando o acesso.

Pode ter sido apenas eu dando prioridade a outras artes que vem cada vez mais me fascinando também ao longo dos últimos anos, como a literatura e o teatro.

O cinema não brilhava mais meus olhos, algo que sempre me fez tão feliz, tão completa, não estava mais me transbordando.

Mas no dia 27 de fevereiro ele me conquistou novamente.

Despretensiosamente, comecei minha maratona cinematográfica com “Um completo desconhecido” — cuja trilha sonora estou escutando enquanto escrevo esse artigo, inclusive. Eu gosto muito do Timothée Chalamet, considero-o uma das grandes revelações dessa nova geração de atores estadunidenses. Saí da sessão com essa sensação ainda mais forte, além de ser um filme que traz duas coisas que eu adoro: contexto histórico forte e música.

Minha segunda sessão foi “Wicked”, e eu já sabia que ia ser um bom filme, todas as críticas que vi de pessoas que confio no gosto — porque normalmente tem o gosto parecido com o meu — prometiam. Ultrapassou minhas expectativas! Que filme maravilhoso! Foi engraçado notar que tive que fazer um pouco de trabalho mental para sair de uma cinebiografia e entrar em um mundo de fantasia, mas não demorou muito para que eu mergulhasse no mundo verde e rosa.

Talvez por estar sozinha, não sei, mas não tive receio em ser julgada por qualquer reação no meio dos filmes. Desculpa a quem estava sentado do meu lado, mas sim, cantei a música do Bob Dylan que eu conhecia no primeiro, e as músicas de “Wicked” do segundo também, mas juro que foi baixinho para não atrapalhar demais a experiência

Eu radiante depois de sair da sessão de Wicked

dos outros.

 

Saí da segunda sessão sentindo algo que há anos eu não sentia: amor pelo cinema. Amor por essa arte que abarca todas as artes. Amor por entrar em uma caixa escura e passar em média duas horas alheia do mundo real.

Fui no banheiro entre a segunda e terceira sessão cantando — agora alto, tô nem aí — “Defying Gravity”. Encontrei a menina que sentou do meu lado na sessão, rimos de eu estar cantando alto a música do filme, mas não uma risada de zoação, aquela risada de cumplicidade, de “cara, eu também gostei muito, olha a gente aqui de novo”.

Terminei minha noite com “Anora”, o que achei uma finalização simbólica, um filme mais voltado à forma, algo mais conectado com o que eu tinha ido fazer inicialmente: assistir aos filmes do Oscar para julgar. Saí do cinema, andando pelo shopping, para a saída, com um sorriso no rosto, o cérebro a mil e o coração preenchido novamente, como se há meses eu não tivesse vivendo parte de mim. A parte cinema.

Não posso negar que isso tudo acontecer no dia 27 de fevereiro teve um significado ainda mais especial, pois era a data de aniversário da minha mãe e posso sentir que, em partes, foi uma comemoração de parabéns, com muita música e arte, que ela também gostava.

Só sei que, agora, não quero mais deixar esse amor esmorecer novamente. Por favor, indústria, não me decepcione!

A partir de hoje, o cinema será tão necessário na minha vida quanto os livros, porque com ele me sinto completa.

Faça o que te deixa completo.

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